segunda-feira, 4 de julho de 2016

Repost: A maior (e melhor) herança que alguma vez terei dos meus pais é a educação

Este texto foi escrito no antigo blog, em Fevereiro de 2014, cerca de 1 ano antes de eu perder o meu pai... E talvez também por essas circunstâncias, é dos posts antigos que me atinge com mais força...
 
"Faz-me bastante confusão ouvir dizer que é impossível um casamento durar décadas, que é impossível haver amores eternos, porque, no entender de quem o diz, é impossível amarmos a mesma pessoa anos a fio. Ouvi muito estas pérolas nos últimos dias, por causa da notícia mais badalada das revistas cor-de-rosa desta semana. Faz-me confusão, porque não preciso de procurar muito para encontrar um exemplo de AMOR, puro e verdadeiro.

Os meus pais já contam com mais de 30 anos de casamento, e mais uns quantos anos de namoro. E eu tive a sorte de nascer e crescer no seio de uma família verdadeiramente feliz e unida. Vejo nos meus pais o mais perfeito exemplo de amor, de amizade, de companheirismo, de ternura, de carinho, de cumplicidade. Sempre lhes vi nos olhos todos esses sentimentos: o brilho no olhar não engana, são o amor da vida um do outro. Ao longo da minha vida, poucas foram as vezes em que vi os meus pais chateados, e mesmo quando isso acontecia sempre houve da parte deles o maior cuidado para que isso transparecesse o menos possível para os filhos. Para mim são o mais puro exemplo de AMOR. É a esse patamar que gostaria de um dia chegar.

Tenho o maior orgulho nos meus pais, quer enquanto casal quer enquanto seres individuais. São pessoas maravilhosas e eu sinto-me verdadeiramente abençoado pela educação que tive, pelos valores que me foram transmitidos.

Sou o que se pode denominar de "menino dos papás" (no bom sentido), e com o maior orgulho. Tenho e sempre tive uma óptima relação com os meus pais (houve apenas uma situação de excepção, mas por minha culpa - estava na idade da estupidez :$). Mas identifico-me muito com o meu pai (e, curiosamente, toda a gente diz que sou extremamente parecido com ele - quer fisicamente, quer de personalidade). O meu pai é o homem que eu gostava de um dia vir a ser (mas juro que serei feliz se um dia conseguir chegar-lhe aos calcanhares). É um excelente pai, um excelente marido, um excelente irmão. Foi um excelente filho. É o melhor amigo que se pode ter, é um bom ouvinte e igualmente bom conselheiro. E ensinou-me a ser homem.

Há uns dias escrevi, num contexto que agora não importa, as seguintes palavras:
"Todos nós, enquanto pessoas, somos fruto da educação que nos deram e de mais alguns factores (o que nos rodeia). E na idade da aprendizagem, quando começamos a sugar os ensinamentos que nos são transmitidos, aprendemos mais por imitação do que por palavras. E eu tenho a sorte de ser filho de um grande homem e de uma grande mulher, que me ensinaram a ser responsável, a ser adulto, a brincar quando é hora de brincar mas também a ser sério quando assim tem de ser, que me ensinaram também a pensar pela minha própria cabeça e não ser influenciável, que me ensinaram que o 'poder' (neste caso, os poderes que vamos conquistando à medida que vamos crescendo) traz sempre grande responsabilidade. E almejo um dia poder chegar aos calcanhares do homem que o meu pai é."

A minha família é o meu maior orgulho. E juro-vos por tudo: só eu sei as saudades que sinto das minhas pessoas, mas sobretudo dos meus pais. Os meus pais são a minha orientação, são eles que me ajudam a não perder o norte. Os meus pais são as pessoas que mais amo e admiro na minha vida. E de uma coisa tenho a certeza: se a lei da vida se aplicar (os pais partirem antes dos filhos...), sei que no dia que os perder vou perder uma grande parte de mim. Uma grande parte de mim morrerá nesse dia. Eu já lido terrivelmente com a perda, perder os meus pais então é algo que nem consigo sequer imaginar... Dói demais tentar sequer imaginar como seria a minha vida sem eles!

Sei que nem sempre fui o melhor filho do mundo, mas esforço-me diariamente (a opção que fiz há uns anos atrás, de vir para longe, foi por eles - e não me arrependo, faria tudo novamente quantas vezes fossem necessárias!). Sei que ainda não sou o homem que quero ser, mas também sei que me orgulho cada vez mais de mim e do homem em que me estou a tornar (especialmente nos últimos anos - foi preciso bater no fundo para perceber, com clareza, o caminho que quero seguir). Porque sou fruto de uma educação que considero exemplar. Obrigado pai, obrigado mãe. O que sou hoje, é a vocês que o devo e sou-vos profundamente grato. Sei que se orgulham de mim, já mo disseram, mas eu quero sempre ser mais e melhor. Amo-vos, com todas as minhas forças.

(É, as saudades e a falta de colinho nos momentos difíceis dão nisto...)"

2 comentários:

  1. Que lindo texto!
    Você é, realmente, um privilegiado.
    Não são todas as pessoas que podem contar com todo esse alicerce.

    Beijos!

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    Respostas
    1. Obrigado!
      De facto sou um privilegiado. E é por isso que a perda do meu pai dói tanto e vai doer sempre. Era um dos meus pilares.
      Beijo

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