sábado, 28 de maio de 2016

A propósito do fail de Korn no Rock in Rio...

De repente, o mundo lembra-se que a profissão de técnico de som é relevante.
(para aumentar as imagens, é só clicar)









segunda-feira, 23 de maio de 2016

Ir e voltar

Ao ver uma entrevista de David Fonseca (um dos meus músicos de eleição) ao programa Contentor 13 (que podem ver aqui - clicar para abrir link), houve uma parte que me chamou a atenção.

Passo a citar:
"(...) Mas eu acho que inspiração tem muito pouco a ver com estas coisas. A inspiração é tida na sua definição como uma espécie de um acto divino, em que uma pessoa olha para uma espécie de uma luz, que nos traz uma espécie de elevação. Eu acho que fazer música é muito ao contrário. É como descer a um poço, é um acto muito mais interior. Não é um acto muito de elevação ou de olhar para cima, mas muito mais de olhar para dentro e descer a um sítio que às vezes é muito escuro. (...) Agora, não é fácil descer a esse sítio. Eu acho que é preciso um equilíbrio emocional muito grande para conseguir ir lá e voltar."

Identifico-me por completo com estas palavras. Ser músico, ser compositor, não é olhar para cima, é olhar para dentro. É mergulhar nos nossos pensamentos mais profundos, nas nossas dores mais escondidas, nos nossos desejos mais secretos. É irmos buscar aquilo que evitamos no nosso dia-a-dia. E não, não é fácil ir lá ao fundo, porque muitas vezes vamos enfrentar coisas com as quais não sabemos lidar. E podemos ficar tão mergulhados nessas ideias, que pode ser difícil sair de lá. Falo por experiência própria. Numa determinada fase da minha vida, andava tão no fundo do poço que me era muito fácil escrever e compor. Só que depois não tinha o equilíbrio emocional necessário para sair dessa bolha e permitir-me viver o dia-a-dia. Então andei cada vez mais no fundo... Já não conseguia vir à tona... Até que um rasgo de lucidez me fez perceber que tinha que sair dessa onda. E, para o conseguir, sabia que uma das coisas que tinha que mudar era a música: tinha que deixar de compor.

Estive anos sem compor. Voltei a fazê-lo no Verão passado. Precisava de encarar fantasmas, de enfrentar medos, de conseguir dizer o que me ia na alma e que não conseguia dizer a quem de direito. Mas fi-lo com a consciência que não poderia deixar que essa descida ao fundo do poço fosse mais do que momentânea. Aprendi a, tal como o David Fonseca, conseguir ir lá e depois voltar.

sábado, 21 de maio de 2016

Mesmo estando longe, o concerto de uma vida...

Queen foi A banda da minha infância. Cresci a ouvir boa música: Bruce Springsteen, Bryan Adams, Bon Jovi, UB40, Dire Straits, Scorpions, e tantos outros. Mas Queen era A banda de eleição dos meus pais. E por isso ouvi-os desde sempre.

Infelizmente, por questões geográficas, não pude ver in loco o concerto de Queen + Adam Lambert. Mas vi através da SIC Radical. E foi ÉPICO. Claro que o Freddie Mercury é único, não há nem nunca haverá ninguém igual a ele. Para mim, foi o maior génio de sempre na música, e, consequentemente, a maior perda de sempre. Mas a obra perdura no tempo, a obra fica para sempre. E o concerto de hoje foi prova disso - e Adam Lambert dá bem conta do recado. Foi o melhor concerto que o Rock in Rio Lisboa alguma vez viu e creio que será indubitavelmente o concerto do ano em Portugal!

Durante quase 2 horas, arrepiei-me, emocionei-me, cantei, toquei air guitar e air drums (lol). E ainda caíram umas lagrimazitas. Ouvir Queen é sinónimo de nostalgia, aos primeiros acordes somos logo transportados para realidades paralelas... E claro, é-me impossível desassociar Queen do meu pai...

Mesmo estando a muitos quilómetros de distância, este foi o concerto de uma vida. Épico. Simplesmente épico.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Está aberta a época de concertos em live stream!

Quem me segue de outros carnavais, sabe que eu sou fanático por música, por concertos, por festivais. E que se pudesse (isto é, se me saísse o Euromilhões lol) andava de festival em festival. Não podendo e, pior que isso, estando longe de onde tudo acontece, valem-me os live streams :)

Bruce "The Boss" Springsteen @ Rock in Rio Lisboa

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Agora será tempo de Europeu

Costumo dizer que é difícil encontrar um sportinguista mais ferrenho do que eu. Sou doido pelo Sporting desde que me lembro de ser gente. Mas acima de tudo, sou um apaixonado por futebol. Adoro futebol, adoro falar sobre futebol, adoro ver futebol. Mas com olhos de ver, sem palas. Infelizmente, a clubite aguda cega muita gente. Ao ponto de hoje acabarem a contradizer por completo as opiniões que defendiam há 5/6 meses atrás. E é por isso que nos próximos tempos vou "fechar para obras" e tão depressa não falo sobre o Sporting, sobre o Benfica, sobre Rui Vitória, sobre Jorge Jesus, sobre Luís Filipe Vieira e sobre Bruno de Carvalho. Perdi a paciência para a clubite cega. E começo seriamente a perder a paciência para a forma como muita gente vê e vive o futebol. Há demasiados "atrasados mentais" por esse país fora. Tenho o máximo respeito por benfiquistas, tenho ZERO respeito por lampiões.

E como estamos a entrar em altura de Europeu, é para aí que vou apontar. Os convocados de Fernando Santos não são consensuais, mas são (na generalidade) previsíveis. Quem tem estado atento às convocatórias na fase de qualificação e nos jogos particulares, facilmente conseguiria chegar à lista de 23 eleitos.

Se fosse eu a escolher, mudaria algumas coisas. Sobretudo no eixo central da defesa, que parece um lar da 3ª idade. Acho que Daniel Carriço já merecia a chamada à selecção, é titular no Sevilha, equipa que venceu as últimas 3 edições da Liga Europa. E tenho pena que Paulo Oliveira, em virtude da lesão que sofreu, tenha perdido o lugar no Sporting na segunda volta do campeonato. Se tivesse continuado a jogar, teria sido uma óptima hipótese. Mas tendo em conta a baixa forma actual, percebe-se. Rúben Semedo, ainda está verde e acredito que será mais útil na selecção olímpica, mas não me chocaria se tivesse sido seleccionado, sobretudo porque daria mais velocidade. Na lateral esquerda, chateia-me ter que levar com o pino do Eliseu. Mas depois da lesão de Coentrão, não havia grandes alternativas. Ainda assim, espero que Raphael Guerreiro seja titular. No meio-campo, a surpresa acaba por ser Renato Sanches, em virtude da lesão de Bernardo Silva. Pessoalmente, teria apostado em Pizzi para substituir Bernardo. Acho que o Renato Sanches é demasiado verde para estas andanças e seria mais útil na selecção olímpica, com jogadores de faixa etária mais dentro da sua. Mas enfim, a influência de Jorge Mendes já é sobejamente conhecida, e enfim, pois que tem que justificar o investimento de 35 milhões no Bob Marley da Musgueira :P E Pizzi, pela época que fez (para mim foi um dos melhores jogadores do Benfica esta época), merecia ir ao Euro. Na frente de ataque, outro pino: Éder. Já nem há palavras... 

Não estou nada confiante para este Europeu, como já vem sendo habitual. O nível exibicional tem sido fraquinho. Acredito que passamos a fase de grupos, porque o grupo é fácil. Mas acho que apanhando depois uma selecção mais a sério, borramo-nos todos... Mas vamos lá ver... Gostava de estar enganado... Mas esta selecção já não faz vibrar nem cria esperanças como em 2004 e 2006. E com algumas escolhas, muito menos... Acredito que no Mundial 2018, reformando a 3ª idade e aproveitando os miúdos que se têm destacado nas selecções jovens, as coisas podem correr melhor. Havemos de ter matéria-prima de qualidade. Já não falando em certezas, como já são João Mário, William, Danilo, Bernardo Silva, Rafa e André Gomes... E até Paulo Oliveira, André André, Pizzi... Temos ainda as jovens promessas: Iuri Medeiros, Rúben Semedo, André Silva, Rúben Neves, o próprio Renato Sanches (se lhe derem tempo de crescer, em vez de estarem a pôr pressão), e outros tantos.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Os deuses do futebol foram injustos...

As olheiras na minha cara denunciam a noite mal dormida. Ontem foi um dia intenso e difícil de digerir. 

Ontem até tinha acordado muito bem disposto. Acordei a cantarolar "quero o Sporting campeão", o que até surpreendeu os meus colegas de casa, uma vez que não sou propriamente um tipo falador ao acordar. Estava bem disposto e depois do banho equipei-me a rigor, de t-shirt e cachecol. Roupa cuidadosamente escolhida para não ter nem um rasgo de vermelho e para ter o máximo de verde possível - não sou supersticioso em mais nada, só no futebol. No Youtube ia ouvindo em loop as várias músicas do Sporting. Às 15h30, já estava com os colegas com os quais tinha combinado ver a bola. 3 colegas sportinguistas (um deles, colega de casa também), que ontem achámos melhor não haver ajuntamento com outras cores. Caracóis, cerveja e futebol. O PC do meu colega ligado à TV, com o stream do Sporting. O meu PC, na mesa, com o stream do Benfica, para ir espreitando. Estava na hora!

Quando Teo Gutierrez inaugurou o marcador aos 21min, já havia polémica na Luz, com um penalty a favor do Nacional que não tinha sido assinalado (17min). Começava a palhaçada. Com 0-0, aquele penalty podia ter mudado a história do jogo. Mas pronto, siga, enorme festejo com o golo de Teo. Naquele momento, o Sporting era virtual campeão nacional. Mas 2min depois, Gaitan inaugura o marcador na Luz. Balde de água fria. Mas ainda havia esperança. 1-0 é um resultado que pode sempre virar. Aos 33min, o Sporting faz o 0-2. Estava a fazer o que lhe competia: ganhar. Aos 39min, novo balde de água fria, mais um golo na Luz... Ao intervalo, um dos colegas já não quis saber de mais nada e foi-se embora. Já eu, saltitava entre a razão e o coração... Já sabia que o título estava entregue, mas queria manter em mim a esperança de um milagre, de uma reviravolta épica por parte do Nacional. Quando o Benfica marcou o 3-0, foi a gota de água. Desliguei o stream do Benfica, saí da sala e não quis ver o resto do jogo do Sporting. Desliguei o telemóvel, fechei-me no quarto, headphones nas orelhas e pus-me a jogar GTA com o volume no máximo, antecipando-me à tortura da festa alheia. 

Não liguei a TV, não vi programas desportivos (costumo ver o Play-Off ao domingo), nem sequer andei na net. Tudo aquilo me doía como nunca. Não me lembro de ter sofrido tanto como ontem, em questões de campeonato (Taça UEFA em 2005 é outra história). Confesso, sem vergonha, que ainda me caíram umas lágrimas. Sentia-me injustiçado, no fundo... Às tantas lembrei-me do meu pai. Foi ele que me ensinou o que é ser do Sporting, foi ele que me ensinou a história do clube, foi ele que me fez gostar de futebol, foi com ele que passei as comemorações das duas vezes em que vi o Sporting ser campeão (o título de 1999/2000 então foi épico!). E as lágrimas foram mais intensas por momentos...

Não querendo passar por injusto em relação a outras épocas de bom futebol, mas julgo (se a memória não me atraiçoa) que este foi o melhor Sporting que me lembro de ver. Nem nas duas últimas épocas em que fomos campeões praticámos tão bom futebol. E é isso que faz doer. Isso e o futebol sofrível do Benfica em mais de metade da época... Mas isso fica para outro post...

Ontem, hoje e amanhã, enalteço a qualidade da equipa. Orgulho imenso pela prestação nesta época. Voltaremos em Agosto, mais fortes que nunca!

(música de 2015, aquando a conquista da Taça)



"Vou ter no mínimo 5 filhos e tudo verdinho
Por mais que não tenha
Os troféus do vizinho
Vou-lhes contar as histórias dos 5 Violinos
Vou-lhes contar o que me contaram
Enquanto eu crescia
Conhecer a história do Sporting
É uma regalia"

sábado, 14 de maio de 2016

Últimas decisões do campeonato

O meu coração palpita como já não palpitava há muitos anos.
Passei a semana toda a pensar no próximo domingo.
Eu ainda acredito. Porque ser sportinguista é isto. É sofrer até ao fim, é acreditar até ao fim. Se é o cenário menos provável? É, sejamos realistas. Mas não é impossível, nem sequer é improvável. Não é nada de outro mundo pensar que o Nacional da Madeira pode tirar pontos ao Benfica. Pegando em alguns exemplos deste campeonato, alguém pensava que o Benfica ia perder com o Arouca? Alguém pensava que o Sporting ia perder com o União? Alguém pensava que o FC Porto ia perder com o Tondela?

No futebol, tudo pode acontecer. A história do futebol é recheada de surpresas, os favoritismos valem zero ou perto disso. Ora vejamos:
- Leicester campeão inglês
- No passado fim-de-semana, na última jornada do campeonato holandês, o Ajax estava como o Benfica: na iminência de ser campeão, bastava ganhar. Pois que empatou... com uma equipa já despromovida, dando assim o campeonato ao PSV.
- Alguém pensava que, no Mundial 2014, a Espanha seria eliminada na fase de grupos?
- Alguém pensava que o Benfica ia perder o campeonato em 2013, aos 92min, com o famoso golo do Kelvin?
- No último fim-de-semana, o Atlético de Madrid ficou fora da corrida pelo título espanhol, ao perder pontos com...o último classificado.

Podia dar milhares de exemplos. No futebol não há impossíveis. E por isso, enquanto houver 1% de possibilidades, eu vou acreditar. Até ao fim. Porque nós merecemos este campeonato, como já não merecíamos há muitoooos anos. Porque somos, de longe, a equipa que pratica melhor futebol, um futebol bonito, um futebol de ataque, um futebol dinâmico. Porque temos aquele que é, a meu ver, o melhor jogador da Liga actualmente (João Mário). Porque em 6 clássicos esta época, ganhámos 5 (e aquele que perdemos, contra o Benfica em Alvalade, foi contra uma equipa que se limitou a defender o resultado). Por isso... Força Sporting! Nós acreditamos em vocês!

E como o campeonato está a chegar ao fim, clubismos à parte, deixo aqui o meu 11 ideal da época 2015/2016:
GR - Rui Patrício
DD - Maxi Pereira
DC - Coates e Jardel
DE - Layun
MD - Danilo Pereira
MC - Adrien Silva
ED - João Mário (com menção honrosa para Iuri Medeiros e para Pizzi)
EE - Bryan Ruiz (com menção honrosa para Rafa Silva)
PL - Slimani e Jonas (com menção honrosa para Mitroglou)

Uma última nota: tristeza imensa pela descida de divisão da minha Briosa. Não só por ser o meu segundo clube, mas também por ser um clube histórico do futebol português. Um cenário que já adivinhava há várias épocas - mesmo na época em que ganharam a Taça de Portugal, só garantiram a manutenção já no último mês de campeonato. Uma direcção que envergonha o nome da Académica e que já se devia ter demitido há muito. Volta depressa, Briosa.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Já lá vão 8 anos...

Nos últimos dias, ando meio pensativo e de alguma forma até melancólico. Uma situação veio relembrar o quão difícil foi para mim sair de Coimbra, e o facto de estarmos na altura da Queima das Fitas desassossega um bocadinho mais o coração.

Antes de vir para terras insulares, já tinha estado uns meses em Aveiro. Antes disso, na adolescência, também tinha passado uns meses em Lisboa. Mas foi diferente... Não estava assim tão longe de casa e as circunstâncias eram bem diferentes. Em 2008 é que a coisa foi complicada...

Financeiramente não estavam a ser tempos fáceis lá em casa. Por isso é que, em 2007, deixei o 12º ano por concluir para começar a trabalhar e poder ajudar o mais possível. Mas na altura não me passava pela cabeça vir para tão longe de casa.

Estávamos em Fevereiro de 2008 quando vim para cá. Não foram tempos fáceis. Para já, tinha deixado o coração no continente: namorava desde Novembro de 2007, ou seja, a relação ainda era recente para sofrer um abalo destes (a ela tiro-lhe o chapéu, mesmo hoje já não tendo contacto, mas foi uma grande mulher, que sempre me apoiou na minha decisão, que continuou a lutar pela nossa relação tal como eu, que não permitiu que a chama se apagasse com tamanha distância... não é qualquer pessoa que nos dá um apoio tão grande e uma força maior que tudo!). Depois, sempre tive uma relação muito unida, muito próxima e muito cúmplice com a minha família (ainda por cima, ia ser tio pela primeira vez nesse mesmo ano). E depois, pairava em mim o receio de me distanciar dos amigos, porque ia ficar à parte dos programas, das conversas, dos momentos.

Os primeiros 2/3 meses aqui foram realmente complicados. Pela sensação de não pertencer a lado nenhum. Pela saudade. Pela adaptação a tudo. Pelo facto de sentir que tinha muito a provar no trabalho. Quase todos os dias dava por mim a pensar "o que é que eu fiz à minha vida?". Mas... Foi uma fase. Claro que as saudades existem sempre, claro que Coimbra continua a ser e será sempre a minha cidade. Mas é tudo uma questão de tempo, e de adaptação.
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