quinta-feira, 28 de abril de 2016

Se fosse hoje...

Uma nota prévia: este post não pretende ferir susceptibilidades. Conheci muita malta porreira por aqui, algumas pessoas de quem gosto muito. Portanto não pretendo magoar ninguém com estas palavras, é apenas um desabafo.

Às vezes arrependo-me de ter deixado o blog misturar-se com a minha vida pessoal. Às vezes arrependo-me de ter levado pessoas daqui para a minha vida pessoal. Pessoas que sabem mais do que aquilo que lêem aqui, pessoas que me conhecem melhor do que aquilo que o blog passa, pessoas que têm os meus contactos pessoais (e-mail pessoal, Skype, número de telemóvel), pessoas que me conhecem a cara. Se eu voltasse atrás, faria tudo diferente. Se eu pudesse voltar a 2012, altura em que comecei a ter seguidores, não teria passado da interacção da caixa de comentários. Acho que nem teria criado do e-mail do blog sequer...

Não é nada pessoal, não é nada contra ninguém. E, volto a dizer, conheci muita gente boa por aqui. Pessoas de quem gosto muito. Pessoas com quem me preocupo genuinamente. Mas é mais fácil quando não te apegas. É mais fácil quando não passas da simpatia e da empatia. É mais fácil quando não sabem quem és, quando não sabem mais nada de ti para além daquilo que escreves e que optas por partilhar.

O problema, como sempre, é a intensidade que meto nas coisas. Todo eu sou coração, e atiro-me para as coisas sem pensar muito. E aqui não foi diferente. Quando comecei a ter seguidores, fui-me dando cada vez mais. Primeiro criei o e-mail do blog e comecei a interagir "vagamente" com algumas pessoas por esse meio. Depois, com algumas pessoas a interacção foi-se tornando maior, as conversas mais recorrentes e menos superficiais. Em 2014, mais ou menos por esta altura do ano, houve uma pessoa que ganhou a minha confiança e a minha amizade ao ponto de ter o meu número de telemóvel. Em 2015, e acho que também sobretudo devido ao falecimento do meu pai, houve mais interacção com algumas pessoas, e fiquei com mais um ou outro contacto de telemóvel. E hoje, há cerca de meia dúzia de pessoas com quem tenho uma ligação que ultrapassa a blogosfera, com quem o contacto é frequente por outras vias mais pessoais e imediatas. Pessoas de quem gosto muito, com quem me preocupo, com quem me rio e divirto à brava, com quem sei que posso contar. 

Por isso, não é isso que está em causa. Tenho muita estima, muito respeito e muita amizade por essa meia dúzia de pessoas. E pretendo continuar a tê-las na minha vida - gosto de estar rodeado dos melhores, sempre ;)

Simplesmente, 4 anos depois de ter começado a levar a blogosfera mais a sério, e perante tudo o que cresci nestes anos, perante a forma como hoje vejo o mundo, perante tudo o que sei hoje e não sabia naquela altura, se fosse hoje não me teria dado tanto...

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Prioridades e equilíbrios

A namorada é simpatizante do Sporting, mas não liga muito a futebol. O que para mim é uma espécie de "novidade" na minha vida, porque, de 2007 a esta parte, por acaso as minhas paixões têm o denominador comum de serem adeptas ferrenhas dos seus clubes (umas do Sporting, outras do Benfica, outras do Porto, mas todas ferrenhas).

Ora pois que o facto de a namorada não ligar a futebol faz com que, pronto, não perceba bem o que significam estas últimas semanas da época e todo o fervor em redor de cada jornada. Sobretudo tendo em conta a luta pelo título entre Benfica e Sporting, luta essa que pode ir até à última jornada (ambos os clubes podem chegar à última jornada exactamente como estão agora, separados por 2 pontos, e o Sporting ser campeão na última jornada, basta ganharmos último jogo e o Benfica escorregar - até pode empatar, porque o confronto directo é favorável ao Sporting). Se é verdade que há clubes que já têm a sua posição garantida (por exemplo, o Porto ficará em 3º lugar, já não é matematicamente possível atingir o 2º lugar nem cair para 4º), por outro lado há clubes que ainda estão na luta. É o caso do meu Sporting (e da minha Académica, que está em risco de descer...).

Quem lida comigo, sabe que hora do Sporting é hora sagrada. Só não vejo os jogos por motivos de força maior (trabalho e saúde maioritariamente), caso contrário estou indisponível para o mundo durante 90min. Pois que isso nem sempre é fácil de gerir quando se namora com alguém que não liga muito a futebol. E foi o que aconteceu no passado sábado. Eu e dona namorada tínhamos planos a dois para o jantar e para a noite, e o Sporting jogava às 18h30. E quando eu digo que me recuso a chatear-me com pessoas que estimo por causa do futebol, falo muito a sério. E foi por isso que só vi a primeira parte.

E é bem verdade que cada relação traz aprendizagens diferentes. Esta é uma delas. Obviamente que continuarei a ver o Sporting. Mas quando existirem planos com a minha namorada, que eu saiba que são importantes para ela, não vou pôr o Sporting em primeiro lugar.

(Mas confesso que, neste final de época, perder 1min que seja de algum jogo, é coisa que me custa :P)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Eu estava aqui...

Uma coisa que ninguém sabe (pelo menos eu não me lembro de ter contado a alguém) é que a blogosfera está muito ligada ao dia do falecimento do meu pai...

Era uma terça-feira. Eu estava de folga. Acordei tarde, tomei banho, almocei. Estava num daqueles dias de preguicite aguda, em que não me apetecia levantar o cu do sofá. Então decidi ligar o PC. Andava com a leitura blogosférica atrasada, pelo que os planos passavam por ler os blogs que seguia, e depois talvez ver um filme, uma vez que estávamos em plena Oscar Season. Fui lendo e comentando alguns blogs, tranquilamente - afinal, era só um dia de folga banal. Lembro-me que estava a ler o Homem Sem Blogue, que escreve vários posts diários, quando toca o telemóvel e soube da notícia do falecimento do meu pai (seriam umas 17h e tal)....

A partir daí, a minha memória atraiçoa-me e muitos acontecimentos ficaram nublados na minha cabeça... Há coisas das quais me lembro minimamente, outras nem por isso. Sei que no antigo blog, nesse dia à noite, ainda fiz um post de luto - nem me lembro de o ter feito. Não me lembro de ter feito a mala para ir para Coimbra no dia seguinte. Não me lembro de algumas pessoas terem estado no velório (tirando as pessoas mais próximas, claro... mas sei que há pessoas que lá estiveram e eu nem me lembro de lá terem estado)... No dia do velório, em todo o dia comi uma torrada, uma sopa e um cheeseburger do McDonald's que nem me lembro quem foi buscar. Não me lembro do que tinha vestido, só me lembro de ter frio (estava um frio descomunal em Coimbra nessa semana, sobretudo no dia do velório). Lembro-me que tomei a decisão, minimamente consciente, de não ouvir música nesses primeiros dias - não queria ter músicas associadas àquele momento difícil, sob pena de lhes ganhar aversão, pelo que fiz a viagem para casa nem ouvir uma única música por exemplo. Lembro-me de ter medo de entrar em casa... Lembro-me de não ser capaz de entrar no quarto dos meus pais nos primeiros dias...

Acho que estive verdadeiramente em estado de choque. Foi tudo demasiado repentino. E eu fiquei em modo piloto automático. Esse dia marcou a minha vida. E eu estava aqui, no mundo dos blogs, quando soube da notícia...

Hoje estou assim... Triste... E a sentir à brava a falta do meu pai...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

domingo, 17 de abril de 2016

Tobacco free

Fumei o meu último cigarro na passagem-de-ano 2014/2015. Desde então, sou "tobacco free". Mas ainda não me considero ex-fumador, nem sei se algum dia me considerarei. É um processo lento, demorado, com momentos de fraqueza. 

Mentiria se dissesse que, durante todo este tempo, não me apeteceu pegar num cigarro. Claro que apeteceu, centenas ou milhares de vezes. Sobretudo tendo em conta que estou rodeado de muitos fumadores (diria que pelo menos 70% dos meus colegas são fumadores). Há momentos em que a vontade é mais que muita. Mas é tudo uma questão de cabeça. Até hoje, a minha cabeça tem sido suficientemente forte e determinada. Mas não posso dizer que seja assim para sempre. Acho que alguém que fumou (e eu fumei durante mais de uma década) nunca é completamente um ex-fumador, pelo menos enquanto a vontade se for manifestando, mesmo que seja de vez em quando.

Há dias em que o desejo de um cigarro é quase incontrolável. E naquelas fases mesmo lixadas da vida então, é do caraças. A minha primeira, e maior, prova de fogo foi o falecimento do meu pai menos de um mês depois de eu ter deixado de fumar. Sinceramente, ainda hoje não sei como é que não tive uma recaída nesse momento. Não sei se foi por estar num estado de choque tal que estava numa espécie de "coma emocional", ou se de facto cresci um bocadinho (o Roger de outros tempos - tipo em 2010 quando perdi o meu afilhado - ia fazer tudo para fugir da realidade... Álcool, tabaco, qualquer coisa que me anestesiasse...).

Neste momento, vou com cerca de 1 ano e 4 meses livre de tabaco. Há dias em que quase nem penso no assunto, há dias em que quase estrago tudo porque a tentação é enorme. Mas espero continuar a ter força mental para não recair. Primeiro, por questões de saúde, especialmente tendo em conta a minha condição de doente cardíaco. Depois, por questões de carteira - realmente consigo poupar mais :P

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Aleluia!

Ao fim de 3 meses de baixa, finalmente vou voltar ao trabalho na próxima semana!
Este coração é um chato de primeira e obrigou-me a ficar de baixa desde Janeiro, aquando um grande susto. Inclusive fui sujeito a uma pequena intervenção cirúrgica, no início de Março. Agora finalmente tenho "ordem de soltura" e posso voltar ao trabalho.

Os primeiros tempos de baixa foram os mais complicados... Repouso absoluto... Para um workaholic como eu, como devem calcular foi duro... Sentia-me preso e sozinho. Sim, vivo com colegas, e tinha visitas de amigos, colegas, namorada, mãe, primos... Mas durante o dia a malta trabalha, não é, de modo que me sentia um bocado sozinho. Só não foi ainda pior porque estávamos em plena "Oscar Season", portanto a minha rotina era ver filmes, muitos filmes (pela primeira vez, consegui ver todos os filmes nomeados para os Óscares antes da noite da cerimónia lol). Por outro lado, uma das coisas que mais me custou foi estar absolutamente proibido de ver futebol durante mais de 2 meses. Numa das melhores épocas dos últimos largos anos, não poder ver os jogos do meu Sporting foi coisa para me deixar "louco da cabeça".

Aos poucos e poucos, fui retomando a normalidade. Nas últimas semanas já podia ir saindo de casa e fazer uma vida normal, só ainda não tinha autorização para voltar ao trabalho. Mas segunda-feira... I'm back! (um bocadinho menos workaholic lol tenho que moderar-me um bocado...)

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Orgulho verde-e-branco

 Marcelo é um jovem brasileiro, que vive numa localidade do interior, no estado de São Paulo. Marcelo não tinha qualquer ligação a Portugal, não tem familiares portugueses ou a residir no nosso país. E até há cerca de 3 anos, só conhecia o nome do Sporting Clube de Portugal por ser o clube que havia formado Cristiano Ronaldo - por isso seguia a página do Sporting no Facebook. Um dia, apercebeu-se dos tradicionais posts do Sporting em dias de jogo, sempre que o Sporting marca um golo. O jogo era contra o Marítimo, em Alvalade. Marcelo procurou um streaming e acompanhou o resto do jogo. Resultado final, 3-2. A partir desse momento, o miúdo interessou-se pelo clube e pelo ambiente das bancadas de Alvalade. Começou a pesquisar a história do Sporting, começou a acompanhar o dia-a-dia do clube e decidiu criar o site Sporting Brasil, respectiva página de Facebook e Twitter. O que começou por ser uma "brincadeira", tornou-se uma séria paixão para o rapaz.

A comunidade Sporting Brasil foi crescendo e foi começando a ter eco deste lado do Atlântico. E Marcelo começou a ter visibilidade junto dos adeptos leoninos, bem como junto do próprio Sporting. Até que surgiu o movimento "Queremos o Marcelo em Alvalade". E o Sporting não poderia ficar indiferente...

Passou no último fim-de-semana, na Sporting TV, a reportagem que mostra como tudo se passou (a reportagem ainda não está online). A Sporting TV foi surpreender o Marcelo a Tupã, a sua cidade Natal. Conhecer a sua história, a sua vida, como surgiu este amor incondicional pelo clube. Ficámos a saber que Marcelo é padeiro num hipermercado e que estava a juntar dinheiro para um dia conseguir ver um jogo do Sporting em Alvalade. O que Marcelo não esperava é que esse sonho se concretizasse tão cedo. Numa iniciativa inédita por parte do Sporting Clube de Portugal, Fundação Sporting e Super Bock, o miúdo viria uma semana a Portugal, ficando na Academia de Alcochete, e podendo assistir ao Sporting-Marítimo do passado sábado.

Mas mais surpresas estavam reservadas para o Marcelo. Pôde pisar o relvado, perante os milhares de adeptos presentes. Esteve na Curva Sul, junto às claques. E pôde conhecer os jogadores, treinador e presidente do Sporting. A emoção do miúdo é de deixar qualquer um com a lágrima no canto do olho. Como é que é possível alguém ter tamanho amor a um clube, sem ter qualquer ligação a Portugal...

É por isto, e muito mais, que me orgulho de ser verde-e-branco de coração. O Sporting não é só um clube. O Sporting realiza sonhos! É por coisas como esta que somos diferentes!

(Até agora, o vídeo abaixo é o único disponível online, que mostra como foi o sábado do Marcelo. A reportagem feita no Brasil ainda não está online, quando estiver publicarei.)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Valho mais do que penso, e também ainda há pessoas que valem a pena :)

Estou actualmente numa relação, muito recente. Mas que me tem feito bem, que me tem feito crescer, que me tem ajudado a resolver-me comigo e com os meus fantasmas. Eu nunca fui propriamente um poço de auto-estima, mas nos últimos anos alguns factores agravaram isso. Esses factores conjugados destruíram grande parte da minha auto-estima. Bem sei que a auto-estima deve partir de nós, mas a verdade é que somos sempre influenciados pelo que nos rodeia, pela forma como nos tratam, pela forma como nos vêem.

De facto, eu sinto que houve coisas que me foram destruindo aos poucos. Eu era muito mais alegre, bem-disposto, divertido, despreocupado, do que sou agora. Era melhor amigo, era melhor namorado, era melhor pessoa. Só que todos esses fantasmas foram ficando a assombrar-me, fazendo-me sentir inferior, fazendo-me sentir inseguro. E isso foi-se reflectindo maioritariamente na vida amorosa. Sobretudo porque já fui muito "friendzoned", e tenho que admitir que isso foi deixando a sua marca. "És das melhores pessoas que conheço, mas...", "és um excelente amigo, mas...", mas, mas, mas, mas........ Vejamos, eu nunca tive jeito para o engate. Para aquelas merdas do género "és linda, posso conhecer-te?". Talvez por ter sido "educado", digamos assim, a ver as mulheres como mulheres, como pessoas, como seres humanos, e não como objectos sexuais, alvos de engate ou meras conquistas. E, como em tudo o resto, não sei ser outra pessoa que não eu próprio: sou um gajo preocupado, atento, conversador e ouvinte nas proporções mais ou menos certas. Só que as mulheres, que tantas vezes se queixam que os gajos são todos uns cabrões, muitas vezes só valorizam os cabrões. Gajos como eu são muitas vezes etiquetados de "coninhas", "tansos", "panhonhas" - e quem me conhece sabe que eu sou tudo menos coninhas, tanso e panhonha. Um gajo que não esteja a coçar os tomates enquanto atira um "és mesmo boa" é visto pelo mundo como um coninhas (ok, estou a exagerar um bocado, mas a ideia está lá). E depois nós, gajos atentos e preocupados, só servimos para amigos... Aliás, vamos ser curtos e grossos agora e pôr as coisas nestes termos: não andar a comer tudo o que mexe não significa que sejamos uns totós na cama, uns atadinhos. Muito pelo contrário. Se calhar, por sermos mais atentos, preocupados, etc, somos menos egoístas e preocupamo-nos realmente em dar prazer. Não tenho grandes dúvidas que provavelmente tenho mais habilidade na cama do que muitos garanhões :P Mas adiante... Ser constantemente colocado na friendzone também vai diminuindo a nossa auto-estima... Confesso que tive fases em que deixei de acreditar que poderia voltar a gostar de alguém ou deixar-me ser gostado.

Esta relação, que é ainda bastante recente, tem feito milagres por mim. Talvez por ser tão diferente de mim. Eu sou completamente coração; ela é um bocadinho mais cabeça. Eu sou irrequieto, impulsivo, workaholic, impaciente muitas vezes; ela é calma, paciente, doce, tranquila. E tem-me ajudado (inconscientemente na maioria das vezes) a ver o outro lado das coisas. Mas acima de tudo, tem-me feito ver que se calhar até tenho algumas qualidades porreiras, que se calhar até mereço ser gostado, que se calhar não sou inferior a ninguém, que se calhar mereço mais do que tive, que se calhar tenho o meu valor.

Esta relação, que é ainda bastante recente, se calhar veio na altura certa. Na altura em que eu estava meio perdido, sem saber que caminho escolher. Ela faz-me sentir que vale a pena tentar, que vale a pena arriscar. E faz-me sentir bem. Faz-me ver que tenho motivos para acreditar mais em mim, nas minhas qualidades, no meu valor. E mostrou-me que andei anos a dar-me às pessoas erradas e a não dar hipóteses a quem vale a pena.

Resumindo? Sou um lucky bastard por tê-la na minha vida :)

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Fui ensinado a partilhar, portanto... alguém quer uma gripe?

Ai dizias tu que estavas a retomar a normalidade? Ora toma lá uma bruta gripe, para voltares à caminha por uns dias (estou assim desde sexta... e vá lá que hoje já me sinto um bocado melhor).

Demasiado tempo em clausura = sistema imunitário todo fodido, mal comecei a retomar a normalidade apanho uma gripe de caixão à cova.

#FuckYouKarma
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